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A nica ideia que consigo fixar em rela o a o retorno a do n mero de estrelas CINCO, sem qualquer d vida Tudo o resto uma catadupa de pensamentos e sentimentos totalmente desorganizados, e receio que esta review seja o espelho dessa confus o Na tentativa de organizar ideias, andei a ler algumas opini es e n o sei se j vos aconteceu, com um livro que sentiram especial fiquei triste quando, nalgumas, vi menos do que cinco estrelas H uma a de Salamandrine que, apesar de t o pequena e A nica ideia que consigo fixar em rela o a o retorno a do n mero de estrelas CINCO, sem qualquer d vida Tudo o resto uma catadupa de pensamentos e sentimentos totalmente desorganizados, e receio que esta review seja o espelho dessa confus o Na tentativa de organizar ideias, andei a ler algumas opini es e n o sei se j vos aconteceu, com um livro que sentiram especial fiquei triste quando, nalgumas, vi menos do que cinco estrelas H uma a de Salamandrine que, apesar de t o pequena e simples, reflete profundamente o que este romanceo livro que faz sair do metro e ficar sentada na esta o, porque n o pode ser interrompido e que nos deixa como um saco vazio, angustiados, depois de o fechar Dulce Maria Cardoso conta nos, com uma prosa e um estilo muito bonitos, um momento da Hist ria de Portugal F lo com muita sabedoria ao colocar como narrador um mi do de quinze anos, a idade em que j se compreende tudo e se tem, ainda, a liberdade de dizer o que se pensa e sem escolher as palavras.A fam lia de Rui conta se entre os cerca de trezentos mil portugueses que em 1974, para salvarem a vida, foram obrigados a abandonar Angola e deixar tudo o que tinham Trouxeram apenas o que cabia numa mala e cinco contos por pessoa Chegaram a uma metr pole, onde foram rejeitados pelos que c estavam e ignorados pela fam lia Como se sobrevive quando de repente se fica sem casa, sem trabalho, sem pa s, apenas com a vida e o que couber numa mala de por o Os Retornados, v timas e her is do 25 de Abril de 1974, conseguiram Gostei de TUDO neste livro, mas h um cap tulo que achei perfeito o de quando eles chegaram ao aeroporto em que Rui est no presente e simultaneamente no passado N o sou muito de recomenda es de leituras mas, ouso dizer, que ler o retorno devia ser obrigat rio, pelo menos para todo o portugu s O meu exemplar j est a sair de casa Opini o em Opini o em Adoro estes t o raros momentos, em que sem grandes expectativas descubro uma boa escritora N o tenho d vidas em dizer que Dulce Maria Cardoso merece ser lida e que tem qualidade para uma outra projec o no nosso panorama liter rio Recomendo. Acabei agora mesmo e ainda estou sem palavras.N o deve ser f cil escrever sobre este per odo da nossa hist ria, quando ele foi vivido na pele, mas talvez por isso mesmo, o resultado soe t o cred vel No entanto, apenas isso n o seria suficiente para escrever um bom livro Felizmente, Dulce Maria Cardoso tem muito mais do que a experi ncia de um retornado, ela escreve maravilhosamente bem.Cinco estrelas bem brilhantes. A narrativa de O Retorno come a em 1975, Luanda, Angola, a Revolu o dos Cravos, o processo revolucion rio est em curso em Portugal Continental e o fim do Imp rio Ultramarino uma dura realidade, numa descoloniza o apressada, fruto da instabilidade e da incerteza pol tica, com cerca de trezentos mil portugueses a abandonarem um Pa s, onde se come a a ouvir o eco do tiros e onde a viol ncia cresce de dia para dia, no limiar da guerra civil.Rui e a sua fam lia s o obrigados a um regresso for a A narrativa de O Retorno come a em 1975, Luanda, Angola, a Revolu o dos Cravos, o processo revolucion rio est em curso em Portugal Continental e o fim do Imp rio Ultramarino uma dura realidade, numa descoloniza o apressada, fruto da instabilidade e da incerteza pol tica, com cerca de trezentos mil portugueses a abandonarem um Pa s, onde se come a a ouvir o eco do tiros e onde a viol ncia cresce de dia para dia, no limiar da guerra civil.Rui e a sua fam lia s o obrigados a um regresso for ado metr pole, num discurso inicial dominado pela esperan a, as condi es econ micas e sociais de acolhimento e integra o acabam por se revelar completamente desajustadas da realidade os retornados deparam se com um grande choque civilizacional e cultural que se amplia pelo contraste entre as expectativas criadas e a dura realidade dos factos, tudo diferente , o modelo e a qualidade de vida que tinham s o imposs veis de replicar no presente e no futuro num hotel de 5 estrelas na linha do Estoril que Rui, a sua m e Gl ria e a sua irm Milucha ficam temporariamente alojados, o quarto 315 a sua nova casa Um quarto pode ser uma casa e este quarto e esta varanda de onde se v o mar a nossa casa P g 165 dividindo um espa o e um tempo com outros retornados, em que o dia a dia dominado pela frustra o, pela incerteza e pela ang stia, acentuada pela desconfian a e pela hostilidade do pr prio povo portugu s.A escrita de Dulce Maria Cardoso n 1964 flu da, linear, sens vel, numa fase inicial no per odo passado em Luanda brilhante, com uma excelente caracteriza o do ambiente e das viv ncias da na o angolana, onde se acentua a tens o dram tica, num suspense bem delineado, perspectivando se uma trag dia eminente mas ap s o retorno metr pole a narrativa torna se repetitiva e limitada, provavelmente, pela exclusiva perspectiva do ponto de vista do jovem Rui, faltando alguma intensidade dram tica e um aprofundamento emocional de diferentes personagens, sobretudo, as femininas, a m e de Rui, Gl ria, ou a sua irm , Milucha A refer ncia aos acontecimentos hist ricos e aos intervenientes pol ticos superficial, o que para quem n o assistiu a estes eventos, apenas tem acesso a uma informa o diminuta e por vezes pouco detalhada Esperava mais, muito mais Decepcionante os contendores s o as sobras do imp rio, n o deixa de ter piada que estejam a apodrecer no mesmo s tio onde o imp rio come ou P g 188 Que sei eu de frica, al m de que o meu av Angolano do lado dos pretos, n o do lado dos brancos que viviam em Angola uma quest o delicada, esta Sempre tive uma perspectiva limpa, moralmente correcta a esperada dos democratas modernos que reconhecem a supremacia de cada Estado Depois de ler este livro, fiquei um bocado abalada nesta minha convic o N o creio que a autora se tenha proposto a mudar a ideia de um qualquer portugu s que nasceu na metr pole p s guerra colonial, e que ench Que sei eu de frica, al m de que o meu av Angolano do lado dos pretos, n o do lado dos brancos que viviam em Angola uma quest o delicada, esta Sempre tive uma perspectiva limpa, moralmente correcta a esperada dos democratas modernos que reconhecem a supremacia de cada Estado Depois de ler este livro, fiquei um bocado abalada nesta minha convic o N o creio que a autora se tenha proposto a mudar a ideia de um qualquer portugu s que nasceu na metr pole p s guerra colonial, e que enche o peito para dizer quem nos mandou explorar os africanosO continente deles, o pa s era deles S fomos para l fazer figura de ursos, perder pernas e bra os para nada O pa s, entendo agora, esqueceu os a todos Aos que perderam os seus tarecos ditos Retornados e aos que perderam os bra os, os militares que trilharam as selvas e enterraram os companheiros de batalh o num qualquer recanto impensado da imensid o do desconhecido Neste livro de Dulce Maria Cardoso, tudo se resume a esta cita o Os homens t m os fumos por cima dos casacos, uma ideia do Paca a que diz, estou de luto, hoje morreu me a minha terra, hoje tornei me um desterrado, vivemos na certeza de que as terras n o morrem, vivemos na certeza de que a terra onde enterramos os nossos mortos ser nossa para sempre e que tamb m nunca faltar aos nossos filhos a terra onde os fizemos nascer, vivemos nessa certeza porque nunca pensamos que a terra pode morrer nos, mas hoje morreu me a minha terra, hoje morreram os meus mortos E aqui v m o estilo narrativo da autora e sentem o desamparo que estas pessoas sentiram Foram arrancados a uma vida que se esfor avam por construir, por querer melhor, e devolvidos a um pa s que os criticava e os n o compreendia Rui, Milucha, Gl ria s o resgatados de Angola durante a ponte a rea e acolhidos num hotel de 5 na Linha do Estoril Est o profundamente magoados desertaram da sua terra, deixaram a casa, as toalhas de bordados, a cadela, os amigos, o u sque favorito do pai, as palavras a que se haviam apegado matabicho , em vez de pequeno almo o , o sentirem se integrados, na escola e pelas ruas Mesmo o pai ficou para tr s, levado pelos negros E estas pessoas s conhecem uma realidade a uma frica distante, qual n o poder o regressar.Todo o livro contado na primeira pessoa pelo rapazinho adolescente, Rui, que de repente se v chefe de fam lia Atrav s dos seus olhos vemos Angola, os seus produtos, a sua economia, a sua fertilidade, a desigualdade e mesmo a discrimina o face aos negros, aos paneleiros , aos diferentes Tamb m Rui assim, um decalque de toda uma mentalidade t o portuguesa e n o t o ultrapassada quanto isso A m e doente A irm rapariga, n o conta Gostei da humanidade destas personagens, dos seus defeitos e imperfei es A m e, em especial, o g nero de pessoa que abomino Dada a achaques, mentirosa, inventa hist rias para que a creiam menos miser vel, vulner vel, apegada a frigor ficos e a rendas Ainda assim, pelos olhos de Rui, vemo la e amamo la.E o pai de dentes amarelos, brusco, incumpridor, que d tareias de cinto e fuma demasiado , ainda assim, o nosso pai.Aconselho a todos aqueles que queiram ter uma no o de fam lia, de dificuldades, de recome ar O futuro, o passado, todos ali mesclados com a Hist ria do nosso pa s como manto de fundo, a recordar nos que um portugu s que n o baixa os bra os algu m que, na sua perseveran a, e vai longe Uma importante mensagem nos tempos que correm.http p3.publico.pt actualidade soci Nota 2018 Volvidos cinco anos, a minha percep o face aos portugueses coitadinhos de frica alterou se um pouco Os tempos e as mentalidades eram aquelas, mas as v timas n o eram nem nunca foram os colonizadores V timas de Portugal, talvez, e da sua falta de vis o Mas jamais v timas dos locais, os tais que diziam que falavam uma l ngua de c o. A primeira coisa que se destaca nesta obra a sua edi o, que sendo de bolso, lind ssima, de cantos arredondados e com uma qualidade superior, face a outros exemplos de edi es de bolso A outra a imagem que comp e a sua capa e que, de imediato, nos transporta para vidas empacotadas, embaladas Vidas que deixam sempre algo para tr s, que se veem, de um dia para o outro, obrigadas a caber num punhado de malas, caixotes e sacos.Estamos em 1975, numa Angola rec m independente A fam lia de Rui A primeira coisa que se destaca nesta obra a sua edi o, que sendo de bolso, lind ssima, de cantos arredondados e com uma qualidade superior, face a outros exemplos de edi es de bolso A outra a imagem que comp e a sua capa e que, de imediato, nos transporta para vidas empacotadas, embaladas Vidas que deixam sempre algo para tr s, que se veem, de um dia para o outro, obrigadas a caber num punhado de malas, caixotes e sacos.Estamos em 1975, numa Angola rec m independente A fam lia de Rui, o nosso narrador protagonista, tal como muitas e muitas outras, tem que deixar a casa, grande parte dos seus pertences e uma vida de mais de quinze anos naquela terra onde os brancos s o o inimigo a abater Ter que retornar para a metr pole e para um futuro sem casa, sem pertences, sem uma vida Pai, m e e dois filhos n o t m quem os acolha N o t m para onde ir Os mais jovens apenas conhecem a metr pole das imagens que povoam os seus livros escolares Os mais velhos partiram de l h anos infinitos Ser um retorno sem ra zes, um retorno que todos eles sabem que n o ter volta, que n o ter retorno.Rui tem apenas 15 anos e v a sua vida dar uma volta sem retorno num curt ssimo espa o de tempo Perde os seus amigos, a sua casa, o seu pa s e ruma para uma Lisboa que n o conhece e que se v a bra os com um fluxo intermin vel de retornados que n o t m para onde ir Durante mais de um ano viver com a m e e a irm num quarto de um hotel de cinco estrelas Sentir se todos os dias um p ria, um jovem que n o pertence a nenhum lado, que j n o pertence ao pa s que o viu nascer e muito menos pertence quele que, constantemente, lhe relembra que apenas um retornado a viver s custas daqueles que nunca explorariam nem maltratariam os colonos.Com um estilo que me sorriu atrav s das muitas semelhan as que tem com o do meu querido Saramago, a autora criou uma narrativa dura, crua, que, servindo se dos pensamentos, sentimentos, reflex es, mon logos de Rui, reflete mais do que tudo essa sensa o de n o perten a, de desamparo, de n o ser dono de si mesmo, do seu passado, do seu presente e, principalmente, do seu futuro uma sensa o que se cola ao leitor, que nos bloqueia e nos faz compreender ainda melhor o quanto imprescind vel, para sermos pessoas, para nos sentirmos gente, termos um ch o ao qual chamamos lar, p tria Pode ser apenas um cantinho de terra, um casebre Mas nosso, l que temos as nossas ra zes, a esse naco de espa o que pertencemos.Rui tem, como j disse, apenas 15 anos quando deixa uma vida para tr s Essa perda traz revolta, traz desespero, traz uma vontade irrefre vel de explodir, de pontapear, de quebrar e traz um crescimento n o desejado, um crescimento que o for a a deixar de lado o ego smo t pico de um adolescente e a responsabilizar se por si e pelos seus Sem o pai presente, tem que ser ele o homem da fam lia Mas que sabe um puto de 15 anos de ser o homem da fam lia Que sabe disso um puto que apenas quer ter a sua vida de volta, que apenas quer que a sua irm lhe volte a chamar de est pido, como fazia antes N o sabe nada E nem quer saber Quer somente a sua vida, n o ser o retornado, ser um rapaz que faz as coisas t picas de rapaz e que sabe que, ao final do dia, tem para onde ir.Gostei mesmo muito de ler esta obra, mas faltou lhe qualquer coisa para ser perfeita N o sei nem consigo explicar o que lhe faltou, por m h um pequeno vazio que n o me permite que lhe atribua a pontua o m xima Talvez o motivo seja a maior exig ncia que ponho em cima dos ombros dos bons escritores Talvez seja o facto de a narrativa estar centrada apenas na perspetiva do Rui e n o nos possibilitar conhecer, por exemplo, o ponto de vista do seu pai Talvez seja por ser narrada pelo protagonista que nunca t o omnisciente como um narrador heterodieg tico O que certo esse pequeno vazio existe exclusivamente por culpa minha, ou seja, foi a minha leitura, a minha vis o da mesma e n o a qualidade do estilo, da trama ou das personagens que me levam a apenas atribuir um nove e n o um dez a esta leitura Sendo assim, n o quero, de maneira nenhuma, influenciar pela negativa leitores que futuramente queiram desfrutar de O retorno Pelo contr rio Quero que leiam a obra e que me fazem ver o quanto estava enganada ao n o dar lhe a pontua o m xima, a pontua o que talvez ela verdadeiramente merece Esta foi a minha estreia com a autora Uma estreia mais do que auspiciosa e que quero que me leve rapidamente ao encontro de mais obras suas Por isso, se algu m j tiver lido outros romances de Dulce Maria Cardoso, por favor digam e recomendem me qual deverei ler a seguir NOTA 09 10http osabordosmeuslivros.blogspotchokengtitiktitikchokeng. O Retorno um livro que gira em torno da hist ria de uma fam lia o antes e o depois confundindo se com a Hist ria de um pa s que n o era s Portugal Impele reflex o, demarca o de fronteiras e abismos, ao esquadrinhar de motiva es Dulce Maria Cardoso escreve de forma sublime. {Read} Î O Retorno Ñ Luanda A descoloniza o instiga dios e guerrasOs brancos debandam e em poucos meses chegam a Portugal mais de meio milh o de pessoas O processo revolucion rio est no seu auge e os retornados s o recebidos com desconfian a e hostilidade Muitos n o t m para onde ir nem do que viver Rui tem quinze anos e um deles LisboaDurante mais de um ano, Rui e a fam lia vivem num quarto de um hotel deestrelas a abarrotar de retornados um improv vel purgat rio sem salva o garantida que se degrada de dia para dia A adolesc ncia torna se uma espera assustada pela idade adulta aprender o desespero e a raiva, reaprender o amor, inventar a esperan a frica sempre presente mas cada vez mais longe Foi para mim uma inesperada revela o Dulce Maria Cardoso deu me a oportunidade de conhecer uma realidade, a dos retornados, que at ali me tinha sido incutida como privilegiada Por fim, algu m que p s o dedo na ferida e ousou contar a hist ria destas pessoas, sem filtros suaves.